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Criadora do Enem cobra investigação após fala de Bolsonaro sobre as provas

A educadora Maria Inês Fini, idealizadora do Enem e ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), cobrou, em entrevista ao UOL News hoje (16), uma investigação após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer que as provas terão “a cara do governo”.

“Baseado em quê ele fez essa afirmação? Alguém vai ter que dizer o fundamento dessa afirmação. Tem que ter apuração jurídica”, disse.

A declaração foi feita por Bolsonaro durante o fórum de investimentos em Dubai, nos Emirados Árabes, ao comentar a demissão em massa de mais de 30 servidores no Ministério da Educação às vésperas do Enem.

“Começam agora a ter a cara do governo as questões da prova do Enem. Ninguém está preocupado com aquelas questões absurdas do passado, de cair um tema de redação que não tinha nada a ver com nada. É realmente algo voltado para o aprendizado”, declarou o presidente.

Censura do Enem

Ao “Fantástico”, da TV Globo, servidores relataram que o diretor de Avaliação de Educação Básica, Anderson Oliveira, pediu a remoção de mais de 20 questões da primeira versão da prova deste ano. A maior parte das questões se referia a contextos sociopolíticos ou socioeconômicos — a escolha é feita a partir de um repositório de questões elaboradas por professores selecionados por edital.

Também foi relatada a presença inesperada de um policial federal no ambiente onde são elaboradas as provas, algo que os servidores entenderam como tática de intimidação.

Maria Inês Fini endossa a denúncia dos servidores sobre censura, mas tenta acalmar os alunos que vão fazer a prova. Ela afirma que itens podem ter sido retirados, mas novos itens não foram adicionados ao exame. “O exame está dentro da configuração do contexto geral que o Enem sempre se apresentou. Quem pode mais, seguramente vai poder o menos”, disse.

Conteúdo: UOL

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